Editora Saraiva: São Paulo, 2013. - Edward Guimarães - Equipe do Centro Loyola 01.07.2013

No livro O que a vida me ensinou, Frei Betto, como nas diversas obras já publicadas, brinda-nos com instigantes e provocantes reflexões. O estilo do texto prende o leitor do início ao fim, pois, trata-se de conversa franca, amiga, concreta, cheia de entusiasmo e próxima do pulsar da vida. Dá vontade de interagir com o autor e dizer-lhe como vemos ou sentimos a vida também. Nesta obra, por meio de doze recortes autobiográficos, o autor se desnuda e se dá a conhecer por meio da partilha de vivências profundas e impactantes de sua trajetória de vida. Em cada um deles, longe de ocupar simplesmente a centralidade do palco, convida-nos antes, a cada linha, a vencer o medo, olhar no espelho e avaliar a própria performance política na jornada da vida. Esta não tem ensaio. Acontece sempre ao vivo. Importa, portanto, o quanto antes, conhecermos a conjuntura, os sinais do tempo e do lugar onde atuamos e assumirmos corajosamente que a cada decisão, a cada passo... “cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz”. A cada linha explicita-nos a complexidade da realidade humana, em sua busca de realização e felicidade.

A vida nos impõe exigências singulares. Se, junto com os demais seres vivos, coexistimos no mesmo planeta, a situação do ser humano revela-se original. Não nos basta sobreviver ou deixar a vida nos levar. Somos timoneiros do próprio barco e induzidos a assumir o leme e decidir a direção. Somos radicalmente indeterminados e abertos à transcendência. Além disso, a aventura da liberdade nos desafia, cotidianamente, a imprimir sentido à existência. O dom da consciência ofereceu-nos oportunidades de desenvolver preciosas potencialidades específicas. Dentre elas merecem destaque as capacidade de: refletir sobre o caminho trilhado; admirar a beleza do caminho; tornar-se “eterno aprendiz”; desenvolver habilidades novas; guardar na memória afetiva experiências vividas, registrá-las, refletir novamente sobre elas e atribuir-lhes novos significados a cada balanço de vida; aguçar a sensibilidade diante da verdade, da beleza, da unidade, da bondade, da alteridade e, de modo muito especial, daquela que se encontra em situação vulnerável. A criança, o idoso, o empobrecido, o doente... somos interpelados social, política e eticamente ao contemplar o rosto humano. Somos impulsionados a amadurecer a capacidade de amar, responder, cuidar e promover a dignidade da vida. No final, como cristão místico e militante e a título de conclusão, o autor nos oferece dez preciosos conselhos para quem deseja viver com autenticidade a religião no século XXI. Vale a pena conferir! Desejamos a todos boa leitura!

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